XV Congresso Brasileiro de Cirurgia Oncológica

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Dados do Trabalho


Título

Ligadura profilática do ducto torácico durante esofagectomia: qual o impacto perioperatório e na sobrevida a longo prazo? Uma revisão sistemática e metanálise

Introdução

A esofagectomia é um procedimento complexo e com alto índice de morbidade. Dentre as complicações cirúrgicas, o quilotórax por fístula do ducto torácico aumenta as reinternações e o risco de mortalidade.
Alguns autores sugerem o uso profilático da ligadura do ducto torácico (LDT) para diminuir as chances de quilotórax em pacientes submetidos à esofagectomia. Além disso, após a identificação e ligadura do ducto torácico, a ressecção do ducto torácico (RDT) poderia, teoricamente, aumentar o número de linfonodos ressecados. No entanto, existe o temor de que a obliteração do ducto torácico diminua a circulação de citocinas e diminua a resposta imune às células neoplásicas, podendo, portanto, influenciar a sobrevida a longo prazo. Atualmente, não há consenso sobre o uso de TDL ou TRD profilático para câncer de esôfago.

Objetivo

Esse estudo objetiva comparar pacientes que foram submetidos a esofagectomia associada a LDT ou RDT com pacientes submetidos a esofagectomia sem tais procedimentos.

Método

A revisão sistemática foi realizada nas bases: PubMed, Embase, Cochrane e Lilacs. Os critérios de inclusão foram: estudos que compararam a esofagectomia com LDT ou RDT com a não-obliteração de ducto torácico; pacientes com câncer de esôfago; ensaios clínicos e estudos coortes. Foi adotado modelo de efeito randômico e os desfechos foram sintetizados em Forest Plots, utilizando Diferença de Risco (DR) ou Hazard Ratio, com os respectivos IC 95%.

Resultados

Foram selecionados 16 artigos. O tempo de seguimento médio entre os estudos foi de 52 meses e 97,6% dos pacientes apresentaram carcinoma espinocelular. A LDT não influenciou nos riscos de complicações (DR: -0.02; [-0.11, 0.07]); quilotórax (DR: -0.01; [-0.02, 0.00]); mortalidade (DR: -0.01; [-0.02, 0.00]); taxa de reoperação (DR: -0.01; [-0.02, 0.00]); e sobrevida global (HR): 1.17; [0.86, 1.48]). Já a RDT foi associada com maiores riscos de complicações pós-operatórias (RD: 0.1; 0.00, 0.19); quilotórax (RD: 0.02; [0.00, 0.03]). Não houve diferença significante para taxa de reoperação (RD: 0.02; [-0.00; 0.05]). A RDT não trouxe ganho em sobrevida global (HR: 1.16; [0.8, 1.51]).

Conclusão

Esofagectomia com ligadura de ducto torácico sem ressecção do mesmo não diminui de forma significativa o risco de quilotórax e taxa de reoperações e não influencia na sobrevida global. A ligadura com ressecção do ducto torácico implica em maiores complicações pós-operatórias, incluindo quilotórax e não traz ganho em sobrevida a longo prazo.

Palavras-chave

Área

Trato gastrointestinal alto

Autores

CLARA LUCATO DOS SANTOS, LAURA LUCATO DOS SANTOS, LETÍCIA NOGUEIRA DATRINO, GUILHERME TAVARES, LUCA SCHILIRÓ TRISTÃO, MARINA FELICIANO ORLANDINI, MARIA CAROLINA ANDRADE SERAFIM, WANDERLEY MARQUES BERNARDO, FRANCISCO TUSTUMI